A INJUSTA PRISÃO DE CLÓVIS NUNES

CLÓVIS NUNES. Ele informou que vai recorrer da decisão da justiça e ficou em silêncio durante todo o andamento do processo porque esperava com muita expectativa que fosse inocentado.

 

CLÓVIS NUNES

 

 

 

Clóvis explicou como era a sua atuação na campanha do desarmamento e frisou também que nunca emitiu nenhuma guia para a indenização de armas.

“Esperei em silêncio esse tempo todo apostando mesmo, com a expectativa muito alta de que a minha inocência seria revelada pela justiça e eu tinha fé

na minha absolvição, em provar logo na primeira instância, mas fui tomado por perplexidade

– eu minha família, os amigos e até meus advogados ficaram perplexos – porque no processo não tem nenhuma prova contra mim e todas as

informações dos crimes aos quais eu fui indiciado pelo delegado da Polícia Federal na época, todos eles foram destituídos. Fui condenado com uma

pena altíssima de 9 anos e 7 meses por um crime que eu não cometi”, ressaltou.

Clóvis informou que ele não tinha poder em relação às armas indenizáveis. No ano de 2011, uma portaria do Ministério da Justiça passou a proibir que

fosse feito o pagamento das armas artesanais. No entanto, a informação dessa portaria não chegou ao conhecimento nem dele, nem de nenhuma

ONG, nem da Polícia Militar.

Todas as pessoas que trabalhavam na campanha seguiam as orientações e procedimentos da primeira fase da campanha.

“As armas artesanais eram indenizáveis porque há uma diferença entre armas caseiras e armas artesanais. As armas caseiras são simulacros, são

armas que não causam ameaça a ninguém e as armas artesanais são as que têm poder de fogo e todas as armas que nós recebemos e entregamos para ser indenizadas na Casa da Paz eram armas que tinham poder de fogo.

Com exceção de duas, um revólver de brinquedo e uma arma de ar comprimido que foram entregues. A campanha determinava que a gente

recebesse essas armas, embora elas não fossem indenizáveis e inclusive isso está nos autos.

Eu não tinha poder nenhum em relação às armas indenizáveis, nem de pagar e nem de autorizar o pagamento.

A Casa da Paz era um braço auxiliar da Polícia Militar e o posto cadastrado no Ministério da Justiça é Batalhão.

A Casa da Paz era idearia da campanha do desarmamento e como ONG voluntária. Eu era defensor da não violência, eu trabalhava pelo desarmamento e acredito no desarmamento até hoje.

Nunca deixarei de trabalhar pelo desarmamento e nesses cinco anos, embora eu não tenha dito nada a imprensa eu continuei fazendo palestras e

seminários em favor do desarmamento e nós sabemos que até essa orquestração que foi criada contra mim era para paralisar a campanha”, declarou.

Na opinião de Clóvis as denúncias que envolveram o seu nome e sobre as fraudes nas indenizações das armas tiveram como objetivo enfraquecer a

Rede Desarma Brasil e foram também uma forma de manchar a sua reputação e imagem.

“Eu estava coordenando a campanha como voluntário em três estados do Brasil e abrindo mais postos. Aqui em Feira foram arrecadadas cerca de

cinco mil armas em entrega voluntária.

Essa foi a única época em dez anos ou mais que o índice de homicídios caiu 30% em Feira de Santana.

Foi no período áureo da campanha do desarmamento que eu acredito que cinco mil armas fazem diferença na quantidade de homicídios.

Com o apoio da Polícia Militar (PM), porque sem ela, não seria possível fazer a campanha, nós avançamos para o interior e começaram a chegar

armas de zona rural, todas espingardas que matavam e com poder de fogo.

Muitas chegavam carregadas com poder de pólvora e quem recebia na Casa da Paz eram dois policiais de plantão que avaliavam as armas.

Elas eram amassadas destruídas parcialmente (porque quem tem o poder de destruição total é o exército), a gente avariava a arma, amassava o

tambor, o cano, as travas e os gatilhos. Já mandava danificada. A viatura da Policia Militar (PM) apanhava essas armas e levava par ao batalhão.

O batalhão tirava a guia e lá meu irmão auxiliava a polícia para tirar a guia. Nunca emiti guia, nem na Casa da Paz, nem nunca toquei em um computador da polícia.

Não tinha acesso a senha, não tinha acesso a nada”, explicou Clóvis.

O ativista relatou que as armas artesanais eram arrecadadas porque não havia o conhecimento sobre a portaria do Ministério da Justiça que proibia a arrecadação.

Como os equipamentos tinham poder de fogo, eram recebidos na campanha.

A informação sobre receber ou não as armas artesanais não era um ponto que tinha clareza na campanha.

“Se tinha uma campanha, uma portaria para não arrecadar arma artesanal, a portaria não chegou ao nosso conhecimento.

Inclusive o coordenador nacional da campanha Antônio Rangel Bandeira que depôs a meu favor na audiência da Justiça Federal, disse que também

não sabia da portaria, não chegou ao conhecimento dele nem na ONG Viva Rio, nem em São Paulo.

Então essas armas caseiras a gente tinha uma pilha na Casa da Paz que a gente nem mandava para a polícia e então nós não tínhamos como saber

que não eram pagas.

Eu não posso ser responsabilizado pelo pagamento da arma, até porque quem tinha o pagamento da arma era a Polícia Militar”, salientou em

entrevista ao Acorda Cidade.

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