Contos de Pombogira, Roda das Princesas

Pombogira, Roda das Princesas As Donas desta Terra,

Pombogira, Roda das Princesas

 

Vermelho…
Vermelho…
Ela não via mais nada, somente um mar de fogo.

Ela estava no meio das chamas.

Vermelho…

seu corpo estava vermelho, mas ela não se queimava nas chamas, pois ela mesma era uma labareda.


De repente sente uma presença, alguém tambem estava ali, entre as chamas.


Vermelho… so se via o mar vermelho…

Uma voz áspera e grossa surge entre o fogo:


– Quem é voce que resiste as chamas?

Ela então responde:


– Eu sou Maria. Me diga que lugar é esse cheio de fogo?

O homem lhe diz:


– este lugar Maria, é o teu Coração.
Voce esta morta.


Mas não extinta.

Era então hora de voltar a si.

Com uma chuva torrencial o fogo se apagou, e ela pode ver o Homem.

Forte e alto, mas havia algo de anormal em sua aparência. Talvez por estar tanto tempo sofrendo as dores de estar nessa jornada.

Antes que ela abra a boca ele diz:


– Sete. Não me chame pelo nome de Batismo, isso me enfraquecerá. Não conte aos outros o meu nome Maria.


Eles na terra dos Viventes agora me chama de Sete Encruzilhadas. É melhor assim, que eu leve em mim o nome de meu lar.

Ela lhe pergunta:


– E eu? Eu ainda sou Maria Francisca.
Ele diz:


– Maria Francisca é o nome escrito na pedra da sua lápide. Vá até lá, va ver os vivos e eles lhe darão um novo nome.

Ela então cai dentro de si mesma, e ao se jogar em sua própria força, ela olha em volta e se vê cercada por tres saídas. Encruzilhada de tres pontas!


Ela ja estava na Terra dos vivos, alias, ela nunca havia saido totalmente daqui.

Era uma rua escura em um bairro afastado.

Na porta de um bar se houve gritos, como uma grande briga:
-VAGABUNDA! IMUNDA!

Um homem bêbado, ameaçava esbofetear sua mulher, lhe acusando de infidelidade.


A pobre mulher so sabia chorar.


A humilhação era grande demais.


Maria Francisca foi até a pobre coitada, e a viu com a sua roupa rasgada e o cabelo desmantelado.

Em um momento de desespero a mulher grita aos céus, clamando que alguem lhe ajudasse.


Maria Francisca sussura no ouvido da mulher, como uma mosca que faz seu suave zumbido.
– Eu lhe Ajudo.

A mulher então passa a agir como se fosse influenciada pela voz que ouviu.
Começa a ranger os Dentes, e a desejar do fundo do coração a morte de seu agressor.

O homem poe a mão sobre o peito, derruba seu caneco de bebida no chão, a encara e grita:


– Voce nem sequer se parece com uma Mulher! Seu Mulambo!

Um mal súbito, um infarto ou algo corriqueiro…

O homem caiu morto no chão, e Maria Francisca tambem deixou de existir ali.

Ela era agora Mulambo. A Maldição de muitos e a Salvação de outros.

Mulambo…


Que ao respirar fundo fez um vendaval, e seu vento rodopiou, um redemoinho quente na madrugada.

Ela não mandava no vento.

Ela é o vento.


Mas ainda lhe faltava seu par.


Ela não estava pensando em homens ou em um Companheiro.


A voz de Sete Encruzilhadas ecoa novamente.


Ele pergunta:


-É na tua irmã que voce pensa?

Ela responde:


-Imagino o nome pelo qual ela atende agora…

Ele lhe responde:


Havia um senador romano que tinha o poder de decidir a vida das Pessoas. O nome dele é a chave.

Mulambo por um momento pensa se realmente quer ouvir esse nome.

Ela sabe que se ouvir o nome elas iriam se ver novamente.

Talvez fosse bom… talvez não. As coisas não estavam bem resolvidas…

Mulambo pergunta:


– Que nome é este?

Por qual nome aquela mulher responde?

Em suspiro longo, como quem está saboreando um doce lembrança, Sete Encruzilhadas pronuncia com suavidade o nome…

PADILHA… Maria Padilha…

Felipe Caprini – Série Roda das Princesas

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