SAFADEZAS da MITOLOGIA GREGA

A Caixa de Pandora
as tradições da mitologia grega que, após a construção do planeta pelos deuses do Olimpo, dois Titãs, os irmãos Prometeu e Epimeteu, foram convocados para adornar a Terra com suas características finais, que possibilitariam a sustentação da vida a ser desenvolvida.

SAFADEZAS da MITOLOGIA GREGA


De grandes caixas extraiam tu19do o de que necessitavam para decorar a Terra. Estabeleceram os mares, os rios, as planícies verdejantes e os desertos, as montanhas com suas geleiras e as calotas polares, e por último instalaram a humanidade e os demais animais por todo o globo terrestre.

Ao término do trabalho, eis que se aproxima Pandora, que com sua curiosidade desejou acompanhar as últimas atividades dos irmãos. Observadora, percebeu que de todas as caixas utilizadas apenas uma estava lacrada. De imediato os irmãos a proibiram de se aproximar da caixa, mas Pandora, aproveitando-se de um descuido dos dois, a alcançou e a abriu.

Em um átimo, saiu da caixa e se espalhou pelo mundo, instantaneamente, quase todo o seu conteúdo, que era composto pelas dores e sofrimentos de todos os tipos e passíveis de alcançarem todos os seres humanos. Pandora se arrependeu profundamente, mas já era tarde. Observando novamente a caixa aberta, verificou que ainda restava algo no fundo, e que se mostrava imóvel; era a Esperança.

Esta passagem mitológica, como outras tantas estórias, tenta explicar como tudo começou, e a existência das dores e sofrimentos humanos, e traz no seu bojo algumas correlações interessantes.

Quem faz mundos não são os homens, mas “deuses”, ou seja, em última instância o Deus que conhecemos hoje como Causa Primeira de todas as coisas e a Inteligência Suprema. E os mundos são feitos para que recebam vidas, nas suas mais diversas expressões, e são conduzidos em seu desenvolvimento, na interpretação acima, por seres especiais como os Titãs, e que hoje são conhecidos como Espíritos Superiores.

Essas vidas, por serem frutos da Perfeição, não carregam em si a vida fugidia, mas sim a imortalidade com finalidade útil, e para satisfazer o princípio da justiça e bondade Supremas precisam ter o mesmo ponto de partida e o mesmo ponto de chegada.

Esses mesmos atributos divinos garantem a individualidade e a liberdade de ação dos seres criados, que portam o direito inalienável da livre escolha de seus atos, e para serem úteis no limite de suas possibilidades precisam alcançar uma perfeição possível a todas as criaturas, porém sem se igualar à Divina Perfeição.

A figura de Pandora aparece na interpretação mitológica como sendo a responsável pelo sofrimento, em função da ignorância de sua causa real. Porém, ainda clamando pelo princípio da Bondade Suprema, nenhum sofrimento se justifica vindo de fora da responsabilidade pessoal de cada uma das criaturas.

O sofrimento é fruto da ignorância individual e causado pelas escolhas infelizes do ser em crescimento, que se educará, não só pelo aprendizado exterior, mas também através das respostas que a vida lhe dá, sempre na mesma proporção.

Com o crescimento do discernimento e da reflexão, aprende-se a obedecer a determinadas regras da vida, que também lhe reserva respostas positivas aos acertos perpetrados.

Creditar o sofrimento que se vivencia às ações de outrem demonstra infantilidade e imaturidade espiritual, daí a importância do esclarecimento da esperança, aquele sentimento que ficou com Pandora e que existe em todos nós e que nos remete à confiança em um futuro melhor.

A Esperança, ou poderíamos dizer a Fé, em um determinado ponto da evolução dos seres, e vivemos esse momento atualmente, passa a ter a necessidade de ser raciocinada, em cima de postulados lógicos, para que se produza uma certeza interior, estabelecendo um equilíbrio emocional e psicológico no enfrentamento das situações em que se encontra.

A Doutrina Espírita, na condição de Consolador prometido por Nosso Senhor Jesus Cristo, possibilita o esclarecimento necessário para a plenitude do desenvolvimento humano, mostrando que o sofrimento terá fim quando suas causas forem eliminadas de nosso comportamento, e que a percepção da felicidade aumentará dependendo sempre das escolhas felizes que se faz diante das possibilidades da vida.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte: https://www.kardecriopreto.com.br/a-caixa-de-pandora/

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