Não se deixe sequestrar pela provocação Tenha autocontrole!

Uma simples recordação de nossa vida cotidiana dá a dimensão do tamanho da batalha para mantermos nossas metas e vencer as tentações.  

Tenha autocontrole! Não se deixe sequestrar pela provocação.

De que maneira encontrar forças para dizer não ao doce tentador que aparece na hora da sobremesa ou para ficar longe

do shopping – e salvar o cartão de crédito – quando o dia foi pesado e a alma implora por um presentinho?

Em busca de saídas eficazes para essa encruzilhada, a ciência começa a voltar seu olhar para dois fatores decisivos

nessa questão: autocontrole e força de vontade.

Veja:

Indicam que essas duas habilidades têm raízes na história da evolução humana, na genética, no ambiente – enfim, são

componentes da personalidade de cada um muito mais complexos e sujeitos a influências do que se imaginava.

Autocontrole comportamento

A primeira conclusão importante a esse respeito vem das pesquisas sobre o comportamento do cérebro quando exposto a

situações nas quais é obrigado a colocar em ação o poder de autocontrole.

Nessas circunstâncias, o que ocorre é uma batalha entre os centros responsáveis pelo processamento dos desejos e do

 

impulso – localizados no sistema límbico – e os que colocam em prática a razão, abrigados no córtex pré-frontal.

Nos primórdios da nossa história, comer, dormir, fazer sexo, conquistar um terreno só seu eram fundamentais para viver

mais e aumentar a prole – e o cérebro acabou encontrando um caminho para tornar isso tudo um grande prazer.

O que nos distingue, nesse aspecto, é que ao longo de milhões de anos desenvolvemos um sistema, o do córtex pré-

frontal, capaz de segurar o impulso de realizar essas vontades quando elas mais prejudicam do que ajudam.

“Alguns animais podem apresentar mecanismos bem rudimentares de autocontrole, mas é na espécie humana que o

cérebro atingiu um grau de evolução que permite refrear os impulsos de satisfação imediata em função de uma

gratificação futura”, afirma o psicólogo Marco Callegaro, mestre em neurociência e comportamento pela Universidade

Federal de Santa Catarina.

Autocontrole habilidade de simular cenários

A habilidade de simular cenários de futuro e de escolher os mais desejáveis, de melhor custo/benefício, nos deu condições

de fazer planos e de suportar adversidades e frustrações para poder chegar a uma meta distante”, diz.

grande problema é que até hoje dificilmente resistimos a todas as tentações, além do fato de uns cederem mais aos desejos do que outros.

Um trabalho importantíssimo nesse tema realizado na California Institute of Techonolgy (EUA) revelou que, nas pessoas

menos vulneráveis às tentações, uma área do córtex pré-frontal, a dorsolateral, é mais ativa.

Essa estratégia vale tanto para a hora de decidir entre o brigadeiro e a fruta (é necessário lembrar-se, insistentemente, do

valor nutricional de um e de outro) quanto para a hora de ceder à tentação da mulher bonita à sua frente (vale mesmo a

pena ir ao encontro sabendo que isso pode acarretar vários problemas futuros com a namorada, por exemplo?).

Além disso, os que tendem a ceder mais normalmente atribuem uma importância maior aos objetos da cobiça, segundo

pesquisa das universidades americanas de Pittsburgh e do Texas.

Autocontrole lição

É o clássico “eu preciso”, que pode ser empregado tanto para a bolsa da vitrine, quando o armário está cheio de outras

opções, quanto para o carro novo, quando o que se tem resolve perfeitamente a vida.

Desses estudos, tira-se a lição de que conhecer nossos limites e as estratégias mentais que montamos para nos

satisfazer a qualquer custo é um passo importante para segurar impulsos.

Se no mesmo dia a pessoa teve de superar a preguiça para ir fazer exercícios físicos logo cedo e depois foi obrigada a

deixar o cansaço de lado para terminar o relatório no trabalho, ficará mais difícil ainda dizer não para o cigarro ou a bebida no fim da tarde.

“Quando o autocontrole não foi muito requisitado, é mais fácil focar nas repercussões negativas do desejo”, escreveram os

autores de um estudo a esse respeito feito na Hong Kong University e na Northwestern University.

“E qualquer tipo de exercício que quebre rotinas pode fortalecê-los.” O cientista sugere coisas como usar a mão contrária

à habitual para escrever, escovar os dentes ou beber algo.

Um ingrediente imprescindível na receita que começa a ser montada para nos ajudar a resistir às tentações é exercitar a

capacidade de esperar pela recompensa ou de trocá-la por outra, menos prejudicial.

Colocar-se objetivos atingíveis e prever gratificações de fato positivas assim que forem alcançados é outra estratégia

eficaz para fortalecer o “músculo” da força de vontade e do autocontrole.

Luz no fim do túnel

“Quando há luz no fim do túnel, as coisas ficam mais fáceis de ser alcançadas”, diz a psicóloga Ana Maria Rossi,

presidente da Isma-Br, entidade voltada à pesquisa e prevenção do estresse.

Na tarefa de aumentar a vontade e o autocontrole, um recurso profissional interessante é a terapia cognitivo-

comportamental, um ramo da psicologia que busca modificar padrões de pensamentos e comportamentos prejudiciais.

Ele chegou a essa conclusão após realizar um experimento no qual observou que os indivíduos com maior capacidade de

se controlar encaravam as situações nas quais eram obrigados a se conter mais como uma oportunidade de diversão do

que de chateação.

“Observar outras pessoas conseguindo manter o controle, a força de vontade, a motivação, faz o indivíduo querer fazer o

mesmo”, disse à ISTOÉ Michelle vanDellen, autora do estudo, o primeiro do gênero, publicado na revista científica

“Personality and Social Psychology Bulletin”.

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