É A DEFICIÊNCIA FÍSICA UMA PUNIÇÃO DIVINA?

Por que pessoas nascem deficientes? Onde está a justiça de Deus quando isso ocorre? Tem como explicar?

Pessoas Portadoras de Deficiencia – Darci Seixas

Antes de conhecer o Espiritismo eu não compreendia por que Deus mandaria para a Terra pessoas com deficiências, fossem elas graves ou mais brandas;

físicas ou até as que causavam incapacidade intelectual ou mental.

Tudo para mim era um mistério. E quando eu perguntava para alguém com mais experiência religiosa, explicavam somente que isso fazia parte dos

“insondáveis desígnios de Deus”!

Dessa forma, era difícil pra mim, ainda pequeno, entender que justiça divina era aquela, que mandava uma alma sem pecados para a Terra, para sofrer tanto e passar por inúmeros constrangimentos.

As barreiras da minha antiga religião católica não me permitiam ir além.

É A DEFICIÊNCIA FÍSICA UMA PUNIÇÃO DIVINA?

O além me chamava desde cedo e, graças a Deus, conheci o Espiritismo, que me ensina até hoje que os únicos desígnios insondáveis são aqueles que o próprio Criador ainda não pôde nos dar a glória de saber, pois ainda não temos capacidade moral e intelectual para compreender.

Mas muitos mistérios da minha mente questionadora já haviam sido revelados desde os tempos de Kardec.

Agora eu tinha que degustar esse conhecimento que me esperava.

Dentre esses mistérios, aprender sobre a visão espírita da deficiência foi libertador!

Foi nesse embalo que aprendi sobre mais duas coisas muito fortes dentro do entendimento espírita:

a Justiça Divina

(a partir da Lei de Causa e Efeito),

e a dinâmica da reencarnação; que se complementam.

O Espiritismo e por que pessoas nascem deficientes

— Reencarnação e Lei de Causa e Efeito

porque nascem pessoas deficientes

Para compreendermos a deficiência na visão Espírita, precisamos considerar que um corpo cheio de limitações, sejam físicas ou mentais possui uma história pregressa.

Um Espírito que haja vivido várias experiências e por seu livre-arbítrio fez mau uso de seus atributos, seja mau uso da sua inteligência, de certa regalia que possa ter tido enquanto encarnado em outras vidas.

Essa é a Lei de Causa e Efeito.

Pode ser explicada bem superficialmente assim:

“Quando fizermos uma má escolha, deveremos pagar os custos dela em outra oportunidade”.

Como vai se dar esse pagamento?

Só a misericórdia divina sabe e, tendo resolvido isso, será preparada uma nova encarnação com provas e, principalmente, expiações à altura.

É comum fazermos um pensamento linear referente à Causa e Efeito e as expiações da reencarnação posterior.

Frequentemente ouvimos dizer pelos simpatizantes espíritas:

“Se uma pessoa se suicida com um tiro na cabeça ou se abusou da sua inteligência, nascerá em outra vida com deficiência mental“;

“Se uma pessoa se suicida pulando de grande altura, poderá nascer novamente com alguma deficiência física”.

O raciocínio acima tem uma certa lógica e pode concretizar-se na realidade.

Mas é importante deixar claro que é interessante tratar tal modelo como uma regra!

Existem muitas implicações no que tange o planejamento reencarnatório e como o espírito que cometeu tal falta poderá saldar sua dívida.

Dessa forma, o novo corpo físico se comportará como uma “prisão”, que tende a fazer o Espírito dar valor à dádiva da vida, mediante seu novo aprendizado.

Espiritismo e por que pessoas nascem deficientes

— A história de Adolfo

livro deficiente mental por que fui um

No livro Deficiente Mental Por Que Fui Um, da autora Vera Lúcia Marinzeck; encontramos diversas histórias magníficas onde os Espíritos contam como foram as experiências no corpo com deficiência mental.

Citaremos uma dessas histórias, mas apenas certos trechos que consideramos marcantes.

Agora, fica fácil de entender por que pessoas nascem com deficiência, segundo o espiritismo.

Entre elas tem a história de Adolfo, que nos narra o seguinte:

“Arrastava-me pelo chão, às vezes sentia arder as palmas das mãos, pernas, mas não ligava, pois só assim ia aonde queria.

E queria pouco, andar pela sala, tentar mexer no rádio. Gostava de músicas.

Gostava de observar mamãe, era tão bonita, meiga e boa.

Ela movia as pernas com facilidade, andava, eu queria tanto fazer igual! Até tentava, caía e chorava, às vezes porque doía algo ou então por não conseguir imitá-la.

Não pensava muito. Era estranho, as ideias vinham rápidas, e como vinham, iam. Se sentia fome, fazia sinal com a mão, sabia onde estavam os alimentos.

Logo me traziam.

Logo que desencarnei essas lembranças me deixavam triste.

Hoje, anos depois, entendendo o porquê de tudo, vejo, narro como se fosse um filme não apenas visto mas sentido.

Sou grato ao Pai Maior pela oportunidade do recomeço, da reencarnação.

meu pai e eu estivemos juntos em outras encarnações. Mamãe não, nos conhecemos nesta, esse espírito bondoso me acolheu com amor e dedicação.

Se em raros momentos sentia-me diferente, foi porque meu espírito sabia que estava preso num corpo deficiente, com o cérebro danificado por uma causa física. Lógico, o cérebro físico adoece.

E por quê?

Certamente tem as causas e as explicações por meio do espírito que habita nele. Porque é difícil nós, na roda dos renascimentos, sermos totalmente isentos de erros.

Não existe desencarnação igual, nada no plano espiritual é regra geral. Mesmo desencarnado sentia-me deficiente, porque meu corpo perispiritual estava doente antes de reencarnar.

Na minha penúltima encarnação nasci no seio de uma família de posses e de muito orgulho.

Cresci achando que era um ser superior em raça e inteligência.

Quis estudar, gostava de aprender e cursei as melhores escolas de meu país. Tornei-me médico ainda jovem.

era rico, bonito e casei com uma jovem do meu meio social.

Meu pai conseguiu por um tempo impedir que eu fosse para a frente dos campos de batalhas.

Mas a pátria necessitava de mim e parti. Minha esposa, ambiciosa, aconselhou-me a aproveitar a situação para me sobressair como médico.

Ela sempre me motivou só para a ambição, para que ficássemos cada vez mais ricos.

Não só tínhamos que cuidar dos nossos compatriotas como dos inimigos, que pareciam estar levando a melhor.

Então nós três resolvemos eliminar os feridos inimigos e de modo cruel.

Fizemos muitas maldades, poderia narrá-las, mas para quê?

Acho mórbido e creio que o leitor entenderá que muito fiz para ter tido grande remorso.

Desencarnamos nós três e muitos outros num ataque de surpresa.

desencarnados que eu julgava serem os inimigos nos odiavam tanto quanto nós a eles, inverteram os papéis, passei a ser paciente deles. Vingaram-se.

Revoltei-me.

Não quis o auxílio oferecido. Sofri por anos, ora no Umbral, ora ali onde fiz as minhas maldades.

Um dia meus pais, que há tempo estavam desencarnados, vieram atrás de mim.

Abraçaram-me comovidos.

Levaram-me para um socorro, recusei tremendamente a melhora, o remorso destrutivo lesou meu perispírito como também a perseguição que tive dos que não me perdoaram.

Os orientadores que cuidavam de mim disseram aos meus pais que eu melhoraria muito na matéria, num outro corpo, com a bênção do esquecimento.

Mas minha lesão me acompanharia, seria um deficiente mental.”

Espiritismo e por que pessoas nascem deficientes

— Allan Kardec conversa com o Espírito de um jovem deficiente mental

allan-kardec porque tem pessoas que nascem deficientes

É incorreto pensar que a vida do deficiente mental não tem utilidade.

Erradíssimo! Tem utilidade, sim, para o próprio e para a família que o recebe.

Sendo seu corpo uma prisão, no sono, enquanto seu espírito se desprende, pode aproveitar de mais faculdades.

O corpo físico pode comportar-se como deficiente, mas o Espírito não tem nada de deficiente!

Na Revista Espírita de 1860, Allan Kardec pergunta para o Espírito de São Luís se poderia, naquela sessão espírita, evocar o Espírito de um jovem deficiente mental. Eis que São Luis responde:

─ Podeis evocá-lo como se fosse um morto.

O jovem é Charles de Saint-G…,

de treze anos, vivo, e cujas faculdades intelectuais são de uma tal nulidade que nem conhece os pais e apenas pode alimentar-se.

Há nele uma parada completa do desenvolvimento em todo o sistema orgânico. Pensou-se que poderia ser assunto interessante de estudo psicológico.

O grupo mediúnico fez a evocação do jovem Charles e começa a interação:

─ Sou um pobre Espírito ligado à terra, como uma ave por um pé.

Em vosso estado atual, como Espírito, tendes consciência de vossa nulidade neste mundo?

─ Certamente. Sinto bem o meu cativeiro.

Quando vosso corpo dorme e vosso Espírito se desprende, tendes as ideias tão lúcidas quanto se estivésseis em estado normal?

─ Quando meu corpo infeliz repousa, estou um pouco mais livre para me elevar ao Céu, a que aspiro.

Como Espírito experimentais um sentimento penoso do estado corporal?

─ Sim, pois é uma punição.

Lembrai-vos da vossa existência anterior?

─ Oh, sim! Ela é a causa de meu exílio atual.

Qual foi essa existência?

─ Um jovem libertino ao tempo de Henrique III.

Dissestes que vossa condição atual é uma punição. Então não a escolhestes?

─ Não.

Como pode vossa existência atual servir ao vosso progresso, no estado de nulidade em que estais?

─ Ela não me é nula perante Deus, que a impôs.

Prevedes a duração da existência atual?

─ Não: mais alguns anos e voltarei à minha pátria.

Desde a existência precedente até a encarnação atual, que fizestes como Espírito?

─ Porque eu era um Espírito leviano, Deus me aprisionou.

No estado de vigília tendes consciência do que se passa em vosso redor, a despeito da imperfeição dos órgãos?

─ Vejo, entendo, mas meu corpo não compreende nem vê.

Podemos fazer-vos algo de útil?

─ Nada.

Por último, Kardec pergunta a São Luís: As preces por um Espírito reencarnado podem ter a mesma eficácia que por um errante?

─ As preces são sempre boas e agradáveis a Deus. Na posição deste pobre Espírito, elas não lhe podem servir; servirão mais tarde, pois Deus as deixa de reserva.

 

Fonte: https://estudantespirita.com.br/porque-pessoas-nascem-deficientes-espiritismo/

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