Existe Dores no Corpo causadas por Espíritos?

Uma lei, já o dissemos, rege a evolução do pensamento, assim como a evolução física dos seres e dos mundos;

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a compreensão do universo se desenvolve com o progresso do espírito humano. Essa concepção geral do universo e da vida foi expressa de mil maneiras, sob mil formas diferentes no passado.

Ela o é hoje, em termos mais amplos, e o será sempre, com mais amplitude, à medida que a humanidade escalar os degraus de sua ascensão. A ciência vê alargar-se sem cessar o seu campo de exploração.

Todos os dias, com a ajuda de seus poderosos instrumentos de observação e de análise, ela descobre novos aspectos da matéria, da força e da vida, mas o que ela constata o espírito já havia percebido há muito tempo, pois o vôo do pensamento está sempre adiante e supera os meios de ação da ciência positiva.

Os instrumentos não seriam nada sem a inteligência, sem a vontade que os dirige. A ciência é incerta e mutável, renova-se sem cessar.

Veja:

Seus Métodos

Seus métodos, suas teorias e seus cálculos, edificados com bastante dificuldade, desabam diante de uma observação mais atenta ou uma indução mais profunda, para dar lugar a outras teorias que por sua vez não serão definitivas.

A ciência nuclear, por exemplo, derrubou a teoria do átomo indivisível que, há dois mil anos, servia de base à física e à química.

Quantas descobertas semelhantes demonstraram no passado a fraqueza do espírito científico!

Este só chegará à realidade quando se elevar acima da miragem dos fatos materiais, rumo à região das causas e das leis.

Foi dessa maneira que a ciência pôde determinar os princípios imutáveis da lógica e da matemática.

Não acontece o mesmo com os outros campos de pesquisa. O sábio, na maior parte das vezes, para ela leva os seus preconceitos, tendências e rotinas e todos os elementos de uma personalidade pouco desenvolvida, como podemos constatar no domínio dos estudos psíquicos, sobretudo na França, onde até agora foram encontrados poucos sábios corajosos e verdadeiramente esclarecidos para seguir uma estrada já amplamente trilhada pelas mais belas inteligências de outras nações.

Apesar de tudo, o espírito humano avança passo a passo no conhecimento do ser e do universo.

Nossas informações sobre a força e a matéria se modificam a cada dia; a personalidade humana se revela sob aspectos inesperados.

Tantos Fenômenos

Em presença de tantos fenômenos experimentalmente constatados, em presença de testemunhos que se acumulam de todas as partes, nenhum espírito inteligente e perspicaz pode continuar a negar a realidade da sobrevivência do espírito; nada mais pode escapar às conseqüências morais e às responsabilidades que ela acarreta.

O que dizemos da ciência, poderíamos igualmente dizer da filosofia e das religiões que surgiram no decurso dos séculos.

Elas constituem outras tantas etapas ou trechos percorridos pela humanidade, ainda criança, elevando-se a planos espirituais cada vez mais vastos e ligados entre si.

Em seu encadeamento, essas crenças diversas nos aparecem como o desenvolvimento gradual do ideal divino, refletido no pensamento, com tanto mais brilho e pureza quanto melhor e mais puro vai se tornando.

É essa a razão pela qual as crenças e o conhecimento de um tempo ou de um meio parecem ser, para o tempo ou o meio em que reinam, a representação da verdade como os homens dessa época podem alcançá-la e compreendê-la, até que o desenvolvimento de suas faculdades e de sua consciência os torne aptos a perceber uma forma mais elevada, uma radiação mais intensa dessa verdade.

Sob esse ponto de vista, o próprio fetichismo* se explica, apesar de seus ritos sangrentos.

São as primeiras palavras da alma infantil, tentando soletrar a linguagem divina e fixando, em traços grosseiros, sob as formas apropriadas ao seu estado mental, sua concepção vaga, confusa, rudimentar, de um mundo superior.

O paganismo representa um conceito mais elevado, embora bastante antropomórfico**.

Nele, os deuses são semelhantes aos homens; possuem todas as paixões, todas as fraquezas. Mas, agora, a noção do ideal se purifica com a do bem.

Eterna Beleza

Um raio da eterna beleza vem fecundar as civilizações no berço.

Mais acima vem a idéia cristã, repleta de sacrifício, de renúncia em sua essência.

O paganismo grego era a religião da natureza radiosa:

O Cristianismo é a da humanidade sofredora, religião das catacumbas, das criptas*** e dos túmulos, que teve seu início na perseguição e na dor, e guarda a marca de sua origem.

Reação necessária contra a sensualidade pagã, se tornará, por seu próprio exagero, impotente para vencê-la, porque com o ceticismo a sensualidade renascerá.

O Cristianismo, em sua origem, deve ser considerado como o maior esforço tentado pelo mundo invisível para se comunicar ostensivamente com a nossa humanidade.

É, segundo a expressão de F. Myers, “a primeira mensagem autêntica do além”.

Religiões Pagãs

Já as religiões pagãs eram ricas em fenômenos ocultos de todos os gêneros e de adivinhações.

Mas a ressurreição, ou seja, as aparições do Cristo materializado após sua morte, constitui a manifestação mais poderosa de que os homens têm sido testemunhas.

Ela foi o sinal da entrada em cena do mundo dos espíritos, que se produziu de mil maneiras nos primeiros tempos cristãos.

Dissemos, aliás, em outra obra8 , como e por que, pouco a pouco, o véu do além foi se abaixando e o silêncio se fez, salvo para alguns privilegiados: videntes, extáticos e profetas.

Assistimos hoje a um novo impulso do mundo invisível na História.

As manifesta- ções do além, de passageiras e isoladas, tendem a tornar-se permanentes e universais.

Um caminho se estabelece entre os dois mundos, a princípio simples pista, atalho estreito, mas que se alarga, melhora pouco a pouco até se tornar uma estrada larga e segura.

O Cristianismo teve como ponto de partida fenômenos de natureza semelhante àqueles constatados em nossos dias no domínio das ciências psíquicas.

É por meio desses fatos que se revelam a influência e a ação de um mundo espiritual, verdadeira morada e eterna pátria das almas.

Vida infinita

Por eles, um imenso azul se abre sobre a vida infinita; a esperança vai renascer nos corações angustiados, e a humanidade irá se reconciliar com a morte. *

As religiões têm contribuído de forma determinante para a educação humana; têm colocado um freio às paixões violentas, à barbárie das idades do ferro e gravado fortemente a noção moral no fundo da consciência.

A estética religiosa criou obras-primas em todos os domínios; participou de forma ativa na revelação da arte e da beleza que se manifestaram no decorrer dos séculos.

A arte grega criou maravilhas.

A arte cristã atingiu o sublime nas catedrais góticas, que se erguem, bíblias de pedra sob o céu, com suas notáveis torres esculpidas, suas naves imponentes, cheias de vibração da música dos órgãos e dos cânticos sagrados, suas altas ogivas, de onde a luz desce em ondas e se derrama pelos afrescos e estátuas;

mas seu papel está se acabando, porque hoje ela repete a si mesma, ou descansa, exausta.

O erro religioso, principalmente o católico, não pertence à ordem estética, que não se engana: ele é de ordem lógica.

Consiste em encerrar a religião em dogmas estreitos, em formas rígidas.

Uma vez que o movimento constitui a própria lei da vida, o Catolicismo imobilizou o pensamento, em vez de provocar sua expansão.

Está na natureza do homem esgotar todas as formas de uma idéia, de ir até os extremos antes de retomar o curso inicial de Catedral de Chartres, França. Gótico: estilo caracterizado principalmente pelo uso de ogivas, ou seja, figuras formadas por dois arcos iguais que se cortam, formando um ângulo agudo, e que possibilitavam a construção de estruturas elevadas.

Catedral de Notre-Dame, França.

Sua evolução.

Cada verdade religiosa, afirmada por um inovador, se enfraquece e se altera com o tempo, por serem os discípulos quase sempre incapazes de se manter à altura a que o Mestre os atraíra.

A doutrina torna-se, desde esse momento, uma fonte de abusos e provoca, pouco a pouco, um movimento contrário, no sentido do ceticismo e da negação.

Depois da fé cega vem a incredulidade; o materialismo faz sua obra, e somente quando ele mostra toda a sua impotência na ordem social é que uma renovação idealista se torna possível.

Desde os primeiros tempos do Cristianismo, correntes diversas –

judaica, helênica*, gnóstica**

– se misturam e se chocam no leito da religião nascente. Cismas vêm à luz; as rupturas e os conflitos se sucedem, no meio dos quais o pensamento do Cristo vai pouco a pouco se encobrindo e se obscurecendo.

Mostramos de quais alterações, de quais modificações sucessivas a doutrina cristã foi objeto no decorrer dos tempos .

O verdadeiro Cristianismo foi uma lei de amor e liberdade; as Igrejas fizeram dele uma lei de temor e escravidão.

Daí os pensadores se afastarem gradualmente da Igreja; daí o enfraquecimento do espírito religioso.

Por causa da perturbação que invadiu os espíritos e as consciências, o materialismo ganhou terreno.

Sua moral, dita científica, que proclama a necessidade da luta pela vida, o desaparecimento dos fracos e a seleção dos fortes, reina hoje soberanamente na vida pública e na individual.

Todas as atividades se voltam para a conquista do bem-estar e dos prazeres físicos.

Por falta de preparação moral e de disciplina, a alma perde sua força; o mal-estar e a discórdia se espalham por toda parte, nas famílias, nas nações.

Período de crise

É, dizíamos, um período de crise. Nada morre, apesar das aparências; tudo se transforma e se renova.

A dúvida que persegue as almas em nossa época prepara o caminho para as convicções de amanhã, para a fé inteligente e esclarecida que reinará sobre o futuro e se estenderá a todos os povos, a todas as raças.

Embora ainda jovem e dividida pelas necessidades de território, de distância e de clima, a humanidade começou a tomar consciência de si mesma.

Acima e fora das incompatibilidades

* He políticas e religiosas, agrupamentos de inteligências se constituem. Homens preocupados com os mesmos problemas, instigados pelos mesmos cuidados, inspirados pelo invisível, trabalham numa obra comum e perseguem as mesmas soluções.

Pouco a pouco os elementos de uma ciência psicológica e de uma crença universal aparecem, fortificam-se e aumentam.

Um grande número de testemunhas imparciais vê nisso o início de um movimento do pensamento que tende a abranger todas as sociedades da Terra.

A idéia religiosa acaba de percorrer seu ciclo inferior, e os planos de uma espiritualidade mais alta vão se esboçando.

Pode-se dizer que a religião é o esforço da humanidade para se comunicar com a essência eterna e divina.

Eis por que sempre haverá religiões e cultos cada vez maiores e de acordo com as leis superiores da estética,

que são a expressão

Harmonia universal.

O belo, em suas regras mais elevadas, é uma lei divina, e suas manifestações,

ligadas à ideia de Deus, revestirão forçosamente um caráter religioso.

À medida que o pensamento evolui, missionários de todas as ordens vêm provocar a renovação religiosa no seio da humanidade.

Assistimos ao começo de uma dessas renovações, bem maior e bem mais profunda que as anteriores.

Já não tem somente homens por representantes e intérpretes, o que tornaria essa revelação tão precária quanto as outras.

São os espíritos inspiradores, os gênios do espaço, que exercem ao mesmo tempo sua ação sobre toda

a superfície do globo e em todos os domínios do pensamento. Sobre todos os pontos, aparece o Espiritismo.

E logo surge a pergunta:

“O que é você?

Ciência ou religião?

Espíritos de pouco alcance, vocês julgam que o pensamento deve seguir eternamente os caminhos abertos pelo passado?

Até aqui, todos os domínios intelectuais têm sido separados uns dos outros, cercados de barreiras,

de muralhas, a ciência de um lado, a religião de outro;

a filosofia e a metafísica* estão eriçadas de espinhos impenetráveis.

Quando tudo é simples, vasto e profundo no domínio da alma como no do universo,

o espírito de sistema tudo complica, diminui, divide.

A religião foi emparedada no sombrio cárcere dos dogmas e dos mistérios; a ciência, aprisionada nas mais baixas camadas da matéria.

Essa não é a verdadeira religião, nem a verdadeira ciência.

Bastará elevar-se acima dessas classificações arbitrárias* para compreender que tudo se concilia e se reconcilia em uma visão mais alta.

Os mundos

Nos dias de hoje, nossa ciência, ainda que elementar, quando estuda o espaço e os mundos,

não provoca imediatamente um sentimento de entusiasmo, de admiração quase religiosa?

Lede as obras dos grandes astrônomos, dos matemáticos de gênio.

Eles vos dirão que o universo é um prodígio de sabedoria, de harmonia, de beleza e que,

no conjunto dessas leis superiores, se realiza a união da ciência, da arte e

da religião pela visão de Deus em sua obra.

Chegado a essas alturas, o estudo torna-se uma meditação profunda e o pensamento se transforma em prece!

O Espiritismo vai acentuar, desenvolver essa tendência, dar lhe um sentido mais claro e mais preciso.

Pelo lado experimental, é apenas uma ciência; pelo objetivo de suas pesquisas,

penetra nas regiões invisíveis e se eleva até as fontes eternas, de onde saem toda a força e vida.

Dessa forma, une o homem ao poder divino e torna-se uma doutrina, uma filosofia religiosa.

É, além disso, o laço que reúne duas humanidades. Por meio dele, os espíritos prisioneiros na carne e os que estão livres comunicam-se, estabelecendo uma verdadeira comunhão entre si.

Não se deve, portanto, ver nele uma religião no sentido restrito, no sentido atual dessa palavra.

As religiões de nosso tempo querem dogma, padres e rituais, e a nova doutrina não os comporta.

Ela está aberta a todos os investigadores; o espírito de livre crítica, de exame e de verificação preside às suas investigações.

Os dogmas.

Os sacerdotes e os pastores são necessários, e ainda o serão por muito tempo às almas jovens e tímidas

que penetram a cada dia no círculo da vida terrestre e não se podem reger no caminho do conhecimento nem analisar

suas necessidades e sensações.

O Espiritismo dirige-se sobretudo às almas evoluídas, aos espíritos livres e emancipados, que querem encontrar

por si mesmos a solução dos grandes problemas e a fórmula de seu credo.

Ele lhes oferece uma concepção, uma interpretação das verdades e das leis universais, baseada na experimentação,

na razão e no ensinamento dos espíritos.

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