A Internet Atrai Espíritos?

Dá acesso a uma gama inaudita de fontes para pesquisa, porém não substitui o estudo minucioso do conteúdo acessado, em todas as áreas do conhecimento, inclusive da Doutrina Espírita

Os Espíritos Pela Internet

 

O que é? 

A Internet pode ser definida como um sistema global de redes interconectadas de computadores e vários outros tipos de equipamentos.  

Houve uma série de avanços nesses protocolos e na tecnologia durante os anos 1970 e 1980, e, com a sua expansão, a Internet exerceu grande impacto na cultura a partir dos anos 1990.  

Notemos, por tais números, a responsabilidade com que se deve postar conteúdo na rede: o que escrevemos pode atingir — e efetivamente atinge — um contingente de várias dezenas a vários milhões de pessoas.  

Veja:

O Bocejo

Não se deixe sequestrar pela provocação

Ramatis Grande Mestre

Análise responsável 

A facilidade e rapidez com que se encontram dados — embora não necessariamente informações — na Internet pode trazer efeitos indesejáveis, como a presunção de se poder saber tudo sobre tudo com apenas a digitação de uma palavra em um mecanismo de procura e um clique em qualquer um dos links dos resultados da busca, como se todos fossem absolutamente confiáveis.  

Benfeitora Joanna de Ângelis, a esse respeito, pondera com sabedoria, em livro lançado trinta anos atrás, época na qual os computadores ainda não eram tão populares: “Observando as pessoas, tens a impressão de que, nestes dias da Informática, todas se encontram esclarecidas e orientadas a respeito da vida.  

Dado e informação 

Podemos entender dado como um conteúdo quantificável, compreensível e ao qual podemos ter acesso, mas não necessariamente analisado ainda, ao passo que informação é o dado processado, o qual permite a tomada de decisões e ações.  

Conferindo-o com uma fonte confiável e verificando, em nossa agenda, que nessa hora temos de nos dirigir a uma reunião na qual seremos úteis, o dado “15 horas” passou a ser confirmado e nos auxiliou em um plano de ação útil à nossa vida – o dado passou a ser uma informação.  

De forma análoga: 

Internet

Um texto que se diga espírita, ao qual tivemos acesso pela Internet ou qualquer outra fonte (visto em um livro ou panfleto;  

Traga esclarecimentos complementares ao entendimento de um ou mais temas e nos ajude a sermos pessoas mais esclarecidas e felizes, esse texto passou a ser uma iluminada informação.  

O uso da Internet 

Foi publicado, pela Federação Espírita Brasileira (FEB), o “Plano de Trabalho Para o Movimento Espírita Brasileiro (2013-2017)” [6], contendo diretrizes, os objetivos e as sugestões de projetos para promover e realizar o estudo, a divulgação e a prática da Doutrina Espírita.  

Na terceira de suas oito diretrizes, denominada “A Comunicação Social Espírita”, a FEB sugere, entre outras ações e projetos: “Ampliação e fortalecimento da divulgação da Doutrina Espírita pela Mídia (Televisão, Internet, Rádio, Cinema, Jornal, Revista, Outdoor etc.  

Kardec nos dá o exemplo 

Nunca podemos abrir mão da análise da consistência doutrinária, mérito, fonte e autorização para divulgação, antes de divulgar, por qualquer meio, todo e qualquer texto.  

Retende o Bem.”, neste Blog, pudemos verificar que Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, demonstrou, na Revista Espírita de maio de 1863, ter encontrado mérito fora do comum para publicar apenas 100 de 3.600 textos que havia recebido.  

Não sigamos linhas de pensamento como as abaixo: “Repasso porque recebi” — no momento em que repassamos algum conteúdo, seja ele um texto, uma fofoca etc., tornamo-nos corresponsáveis pelo mesmo e pelas consequências que ele gerar.  

É preferível produzir um só trabalho bom a fazer dez maus.” [8] “O texto dizia que era do Chico Xavier e tinha umas fotos

tão bonitas…” — imagens e músicas bonitas em uma apresentação são forma, e a forma não pode ser mais importante do

que o conteúdo.  

A facilidade de um clique de mouse para repassar um e-mail não nos deve induzir ao repasse de mensagens que possam

levar muitas pessoas a entendimentos distorcidos e que as façam males que repercutirão em nossa consciência e em

nosso planejamento dos próximos anos ou séculos.  

Estudar não é ofender 

Ao não aceitarmos de pronto uma mensagem, seja comentada verbalmente, seja em um e-mail, corremos o risco de

ofender o remetente se nos propusermos a analisá-la primeiramente?  

Kardec nos orienta: “Os Espíritos verdadeiramente superiores nos recomendam de contínuo que submetamos todas as

comunicações ao crivo da razão e da mais rigorosa lógica. ” 

Orientações milenares 

Os primeiros trabalhadores do Cristianismo já traziam, há dois milênios, orientações sobre a responsabilidade com o que

se retransmite a partir dos dados a que temos acesso.  

Levítico, 19:31 etc., também abordados em nossa postagem “Mediunidade na Bíblia”) e o é pela Doutrina Espírita

(estudemos “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, por exemplo, no capítulo 21, item 7;  

Estendamos o entendimento desse trecho da primeira epístola de João, considerando que não podemos acreditar

cegamente em nenhum Espírito, inclusive nos encarnados.  

Em seu sentido original, profeta significa, simplesmente, porta-voz (vide postagem “Falsos Cristos, falsos profetas e seus

seguidores”, neste Blog).  

Paulo de Tarso, um dos maiores divulgadores da mensagem do Cristo, também traz preciosas orientações: “Não extingais

o Espírito, não desprezeis as profecias;  

Estudar — e não aceitar irracionalmente — o que nos chegar de dados e assimilarmos o que estiver de acordo com a Lei

Divina, abrindo mão de tudo que faça mal a nós e aos nossos semelhantes.  

Comunicação cristã 

Independente de termos uma semana ou 70 anos de estudo espírita, tudo o que nós dissermos, escrevermos ou

encaminharmos certamente influenciará pessoas, sejam elas de nosso círculo de amizades, sejam elas desconhecidas e

residentes a milhares de quilômetros.  

Uma comunicação cristã traz o foco no diálogo fraterno, contendo mensagens de cunho positivo, focando no caminho a

seguir, e não no caminho a temer.  

Texto que enviarmos pode ser recebido como uma referência pelo destinatário, pois ele pode saber que frequentamos um

Centro Espírita — mesmo que há apenas uma semana — e, portanto, devemos saber o que estamos falando.  

Situações que merecem atenção 

Circulam, pela Internet, dezenas de mensagens apócrifas (que não são do autor a que se atribui) e de textos que se dizem

espíritas, mas que não se sustentam pelos preceitos das obras de Allan Kardec.  

Vejamos alguns exemplos: Mensagens, alegadamente de autores famosos, prevendo catástrofes e/ou aproximação de

planetas de vibração negativa e alegando confirmação por entidades científicas.  

Respeito dos presságios relatados acima, leem-se vários destes com detalhes de datas, notoriamente sobre eventos como

cataclismos, referindo Espíritos de renome como os autores das previsões.  

Allan Kardec ressalta, em “O Livro dos Médiuns”: “A previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é

indício de mistificação. ” [11] Perfis falsos em redes sociais.  

Muitos textos espíritas encontrados na Internet foram digitados por voluntários dedicados, mas que nem sempre contam

com uma equipe na qual alguns digitam e outros conferem os textos com os livros originais.  

Seja por simples engano, seja com interesses escusos, muitos textos encontrados na Internet são diferentes dos originais.  

Tampouco, porém, devemos dar atenção ao primeiro boato infundado do polemista do momento.  

Não alimentemos polêmicas 

Novamente seguindo o conselho de Paulo de Tarso na Primeira Epístola aos Tessalonicenses, ouçamos as críticas e

assimilemos aquelas que sejam construtivas e nos apontem oportunidades de melhoria, sem trazermos para nosso mundo

íntimo o lodo das palavras ácidas e inúteis.  

Em virtude destes princípios, não atirando pedras a ninguém, ela nenhum pretexto dará para represálias e deixará aos

dissidentes toda a responsabilidade de suas palavras e de seus atos. ”  

 

Estêvão, um dos cristãos da primeira hora, em debate com Saulo de Tarso antes de sua conversão ao Cristianismo,

também traz importante conselho sobre os debates improdutivos, conforme Emmanuel nos relata no livro “Paulo e

Estêvão”: “Jesus teve a preocupação de recomendar a seus discípulos que fugissem do fermento das discussões e das discórdias.  

Concluindo… 

Não fazemos ideia do alcance daquilo que dizemos ou de nossa influência sobre as pessoas.  

Revisemos previamente, em relação ao original, os textos que pretendemos divulgar — seja por e-mail, em uma rede social, Blog, verbalmente, por escrito etc.  

Em vez de procurar o que ler de texto espírita apenas pela Internet, consultemos a biblioteca do Centro Espírita mais próximo de nossa residência ou local de trabalho.  

Finalizamos com o sábio aconselhamento de Emmanuel, em mensagem frequentemente encontrada pela Internet com seu texto alterado do original: “(…) trabalha para que a Doutrina Espírita lhes estenda socorro oportuno.  

Para isso, estudemos Allan Kardec, ao clarão da mensagem de Jesus-Cristo, e, seja no exemplo ou na atitude, na ação ou

na palavra, recordemos que o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade — a Caridade da sua

própria divulgação. ”

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